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Depois de quase dois séculos de transfusões de sangue, a medicina moderna encontra-se com o desafio de restringir cada vez mais a prática médica transfusional.

MÉDICOS e médicos tratam a ANEMIA do paciente.
O MÉDICO dos médicos trata o PACIENTE que tem anemia.
A atenção do médico deve ser o paciente da anemia e não a anemia do paciente.

Uma Medicina Moderna Não Transfusional, basicamente por duas razões principais.

A primeira é a escassez de sangue e seus componentes no Brasil e no mundo. O sangue está se tornando um recurso terapêutico difícil. A maioria dos bancos de sangue ao redor do mundo estão com seus estoques reduzidos, sempre abaixo do que seria ideal, mesmo com inúmeros esforços dos órgãos governamentais e dos profissionais de saúde para estimular as doações de sangue. Isto é um fato real. A possibilidade no futuro próximo de não haver sangue disponível para todos os procedimentos médicos, também se torna um fato cada vez mais real. Daí a importância do médico em saber cuidar e tratar de um paciente com anemia, sem utilizar o tratamento padrão do século passado mediante uma transfusão de sangue.

A segunda razão, principal e mais preocupante, é o fato de as transfusões de sangue alogênico (sangue de outra pessoa) estarem relacionadas a vários efeitos colaterais. O sangue que se transfunde não é diferente de um remédio administrado a um paciente para tratar determinado problema de saúde. Como toda e qualquer terapia medicamentosa a terapia transfusional também tem seus efeitos adversos. Pesquisas nacionais e internacionais demonstraram inicialmente que o uso de sangue alogênico tem um risco aumentado de transmitir alguns tipos bem conhecidos de infecções, tais como AIDS, Hepatite B, Hepatite C, Doença de Chagas, Sífilis, Dengue, Vírus Chikungunya, Vírus Zika.

Em 2009, descobriu que não são apenas estas, mas há pelo menos 68 (sessenta e oito) agentes infecciosos entre vírus, bactérias e protozoários passíveis de serem transmitidos através de uma transfusão de sangue. Além disso, pesquisas recentes revelam outros efeitos graves à saúde do paciente que recebe uma hemotransfusão, tais como infarto do miocárdio (“ataque cardíaco”), arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral (“derrame cerebral”), problemas pulmonares, falência dos rins, falência de múltiplos órgãos. Estas descobertas têm preocupado a comunidade médica.

No entanto, o questionamento maior com a prática transfusional está acontecendo na época atual, devido a vários estudos demonstrarem que o sangue (alogênico) transfundido por si só tem o potencial de causar a morte do paciente. Isto vai contra, de acordo com estas pesquisas, a tudo aquilo que a medicina um dia orientou sobre a utilização do sangue.

Diante destas evidências torna-se necessário evoluir e avançar. A medicina é uma ciência dinâmica e evolui de acordo com a necessidade. O desafio atual é uma medicina não transfusional, ou pelo menos, mais restritiva. Daí a importância de divulgar alternativas e opções de tratamento para que o cirurgião, anestesiologista, clínico e/ou médico de terapia intensiva, possam reduzir ou evitar transfusões de sangue de outra pessoa.

O paciente tolera anemia, o médico coopera com o paciente em tolerar anemia.

Os benefícios desta medicina não transfusional, ou melhor, os benefícios de se aplicar um programa para conservar o sangue do paciente (Patient Blood Management – PBM) resulta em menor permanência do paciente no hospital, menor risco de infecções, menor risco de falência de órgãos, menor risco de morte.

Um Hospital da Califórnia (EUA) fez exatamente isto, por simplesmente lembrar aos médicos transfusionistas as diretrizes atuais (MAIS RESTRITIVAS) quanto ao uso de sangue alogênico (doado) conseguiu reduzir em 24% (um quarto) as transfusões de sangue e, com isso, economizou US$ 1,6 milhões por ano, e também reduziu o tempo médio de permanência dos pacientes no hospital de 10,1 para 6,2 dias, mas o feito principal desta atitude foi SALVAR VIDAS, pois a mortalidade entre as pessoas que recebeu transfusões de sangue caiu de 5,5% para 3,3%.

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Fonte: Revista Nature

Artigo: Poupe Sangue, Salve Vidas – PDF ~ 1,2mb

É exatamente isto o que gostaríamos que acontecessem em outros hospitais ao redor do MUNDO.

Resultado: MENOS SANGUE = MAIS VIDA.

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