• Sistema sanguíneo ABO e Rh, o que significa? Quantos sistemas sanguíneos são reconhecidos pela Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea?

    No início do século XX (1901) o cientista austríaco Karl Landsteiner descobriu que os seres humanos são também diferentes quanto ao sangue. Cada indivíduo possui um tipo sanguíneo diferente. Por essa brilhante descoberta, em 1930, ele ganhou o Prêmio Nobel de Medicina.

    Landsteiner verificou que ao colocar certos tipos de sangue em contato ocorria uma reação de aglutinação ou hemólise (dissolução) das hemácias (células vermelhas). Descobriu que isto se devia a presença ou ausência de certos ANTÍGENOS (substâncias que o organismo entende como “estranhas”, “invasoras”) na membrana das hemácias, capaz de atrair ANTICORPOS (proteínas encontradas no plasma sanguíneo que tem a função de destruir ou neutralizar esses antígenos) e gerar uma reação imunológica, capaz de causar morte. Isto explicava as várias complicações fatais relacionadas às transfusões de sangue.

    Inicialmente verificou que as hemácias apresentavam dois tipos de antígenos: A e B. Isto gerava tipos distintos de sangue. Os indivíduos com hemácias com antígeno A: Grupo sanguíneo tipo A. Aqueles com hemácias com antígeno B: Grupo sanguíneo tipo B. Os indivíduos com os dois antígenos A e B: Grupo sanguíneo tipo AB. Já as pessoas com hemácias sem antígeno A e B: Grupo sanguíneo “zero”, atualmente conhecido grupo sanguíneo tipo O. Daí o conhecido sistema sanguíneo ABO. Um fato vital é que cada tipo sanguíneo carrega ANTICORPOS contra ANTÍGENOS que o indivíduo NÃO possui e, assim, não lhe causa problemas.

    Em 1940, Landsteiner e Wiener descreveram um anticorpo produzido no soro de coelhos e cobaias, pela imunização com hemácias de Macacus rhesus. Estava

    descoberto um outro sistema sanguíneo, chamado Rh. Trata-se de uma outra proteína que procede como antígeno e que também está localizada na membrana das hemácias, que é o fator Rh. Quando o indivíduo possui esta proteína é chamado Rh positivo. Já as pessoas que não a apresentam são conhecidas como Rh negativos.

    Com o avançar das pesquisas, o sistema se revelou na prática bem mais complexo do que a tipificação simplesmente em ABO, Rh Positivo e Rh negativo. A Sociedade Internacional de Transfusão Sanguínea reconhece pelo menos 33 sistemas sanguíneos diferentes, totalizando cerca de 300 marcadores (positivo ou

    negativo) sobre a membrana das hemácias. Desses, 190 têm alta incidência entre seres humanos. Atualmente, pesquisas apontam para mais de 40 antígenos diferentes pertencentes a este sistema. Alguns exemplos mais conhecidos são os sistemas MN, Kell e Lews, entre outros. Todos estes tem em comum a mesma forma de identificação do tipo sanguíneo, ou seja, o mecanismo antígeno e anticorpo, também capaz de causar reação imunológica fatal, resultando em mortes.

    No Brasil, os grupos sanguíneos mais comuns são o O e o A. Juntos eles abrangem 87% de nossa população. O grupo B contribui com 10% e o AB com apenas 3%. O sangue O Negativo é conhecido como universal, devido ao fato de não possuir antígenos A e B, e nem o fator Rh. Mas apenas 9% dos brasileiros possuem esse tipo de sanguíneo. É muito utilizado pelos hospitais, principalmente situações de emergência. O tipo O positivo é o sangue mais utilizado no Brasil.

    Cerca de 85% das pessoas têm Rh positivo.

  • Qual o melhor e mais seguro sangue para transfusão?

    Resposta: o seu PRÓPRIO SANGUE.
    Este sangue tem a sua marca registrada: os seus antígenos, os seus anticorpos, ou seja, um sangue com seu DNA. Portanto sem nenhum risco de reação imunológica ou inflamatória.
    COMO CONSEGUIR ISSO?
    Resposta: através de um programa MUNDIALMENTE conhecido como PBM (Patient Blood Management), ou seja, um programa de conservação de sangue do próprio paciente.
    Visando uma redução no consumo de sangue e seus componentes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mediante três pilares guia a gestão de sangue do paciente (PBM): http://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA63/A63_R12-en.pdf
    Primeiro pilar: tomar todas as medidas para otimizar a massa eritrocitária do paciente;
    Segundo pilar: minimizar a perda de sangue do paciente;
    Terceiro pilar: otimizar, cooperar com a tolerância fisiológica de cada paciente à anemia
    O Primeiro Pilar diz respeito a tratar toda e qualquer ANEMIA, com medicamentos: sulfato ferroso ou sacarato de hidróxido férrico, ácido fólico, vitamina B12 e quando necessário usar eritropoietina, darbepoietina ou CERA (continuous erythropoietin receptor activator). Estima-se que dois bilhões de indivíduos sejam anêmicos e que a deficiência de ferro ocorra em cerca de quatro bilhões de indivíduos ao redor do mundo.
    O Segundo Pilar é onde temos as duas principais estratégias que permite utilizar sangue do próprio paciente:
    I – Autotransfusão intraoperatória
    Através de um equipamento/máquina conseguimos recuperar o PRÓPRIO SANGUE do paciente que seria perdido durante a cirurgia. Como já dissemos este sangue recuperado tem o DNA do próprio paciente. Pode ser reutilizado e não representa uma homotoxina (“corpo estranho”). Quando não recuperado, infelizmente vai para a lata de lixo junto com gases e compressas. Trata-se de uma verdadeira reciclagem de sangue (Foto 1).
    Esta recuperação de células vermelhas (hemácias) durante a cirurgia é uma excelente alternativa ao sangue alogênico (doado), principalmente pelos benefícios, tais como: disponibilidade imediata de sangue fresco, diminuição das complicações pós-operatória, redução do número de dias de internação e de infecções associadas, redução de morte, bem como diminui a demanda de sangue homólogo (bolsas).
    O custo deste procedimento é aproximadamente o mesmo preço de uma a duas bolsas de sangue, quando consideradas todas as atividades envolvidas na transfusão de sangue.

    II – Hemodiluição Normovolêmica Aguda
    Esta é uma das opções de tratamento mais simples e barata para se utilizar seu PRÓPRIO SANGUE em uma cirurgia. Consiste na retirada de uma, duas, três ou mais bolsas de sangue do paciente no início da cirurgia, sendo substituído por soluções cristaloides e/ou coloides como expansores do volume do plasma, para manter a normovolemia (volume circulante). Este sangue ficará a disposição do cirurgião para ser usado no momento apropriado, normalmente no final da cirurgia. Se ocorrer algum sangramento na cirurgia, teremos menos perda de sangue, já que estará mais diluído. Este sangue armazenado tem o DNA do paciente, sem risco de reações imunológicas. O custo deste procedimento é de aproximadamente U$20,00 (vinte dólares) ou R$70,00 (setenta reais), que seria o custo de duas bolsas de coletar sangue vazia (Foto 2).

    O Terceiro Pilar é um dos principais do programa PBM.
    A MELHOR TRANSFUSÃO de sangue é aquela que NÃO RECEBEU.
    Pesquisas demonstram que o ser humano tolera/suporta níveis críticos de anemia. Por outro lado, a prática médica transfusional, as vezes, chega a 100% em vários hospitais, principalmente, em cirurgia cardíaca.
    O PACIENTE tolera anemia, o MÉDICO não tolera anemia.
    A OMS reconhece que a segurança do paciente transfundido com sangue alogênico (doado) fica seriamente comprometida pelo uso excessivo e desnecessário de transfusões de sangue, de plasma e derivados, transfusões não seguras e erros transfusionais (principalmente na cabeceira do paciente).
    Preocupada com os riscos relacionados à prática transfusional tradicional, realizada com bolsas de doação, a OMS, incentiva fortemente a criação de um programa de conservação de sangue do próprio paciente (PBM). Verifica-se nesta última década, que a veracidade destes fatos está cada vez mais evidente pelas pesquisas científicas publicadas por diversos pesquisadores nacionais e internacionais.
    Para finalizar a própria OMS recomenda “…reduzir transfusões desnecessárias para minimizar os riscos associados com a transfusão; usar alternativas à transfusão, sempre que possível, e a prática clínica de transfusão boa e segura, inclui gerenciamento de sangue do paciente”. Organização Mundial de Saúde. Segurança e disponibilidade do sangue. Revisado em Junho de 2015. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs279/en/
    Portanto, é importante tornar conhecido as principais opções de tratamento às transfusões para economizar hemocomponentes, que já se encontram escassos nos bancos de sangue. Conforme evidência do mundo real.
    Quando se tem o propósito e o envolvimento multiprofissional, do clínico, do cirurgião, do anestesiologista e/ou do médico de terapia intensiva, para gerenciar e conservar o sangue autólogo (sangue da própria pessoa) é possível realizar cirurgias graves e complexas sem o uso de sangue de outra pessoa (alogênico).
    O MELHOR e mais seguro SANGUE para TRANSFUSÃO é o seu PRÓPRIO SANGUE.
    A MELHOR TRANSFUSÃO de sangue é aquela que NÃO RECEBEU.

  • Como se define o estado de anemia em crianças, adolescentes e adultos?

    A anemia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é definida como o nível de hemoglobina abaixo de 13,0 g/dL para homens, 12,0 g/dL para mulheres não grávidas e 11,0 g/dL para mulheres grávidas. É ainda considerado anemia as crianças de 6 a 60 meses com hemoglobina abaixo de 11,0 g/dL, as crianças de 5 a 12 anos com hemglobina abaixo de 11,5 g/dL e nos adolescentes de 12 a 15 anos quando hemoglobina estiver abaixo 12 g/dL.

  • Qual o valor mínimo de sangue que o ser humano tolera?

    A medicina não fornece esta resposta. Em 1942, o médico John Lundy acreditava que uma pessoa com hemoglobina igual ou inferior a 10 g/dL colocava o paciente em risco de morte, por isso propôs transfusão de sangue para todos os pacientes que estivessem com anemia e nível de hemoglobina abaixo desse valor. Infelizmente, essa ideia perdurou por mais de meio século. Após o ano 2000 o risco de morte do paciente com anemia passou a ser considerado quando estivesse com hemoglobina abaixo de 8 g/dl.

    Felizmente, a medicina evoluiu muitíssimo na última década, e uma das principais descobertas na área transfusional foi que o ser humano tolera não apenas 8 g/dL de hemoglobina, mas sim níveis extremamente baixos de anemia. Pesquisas recentes evidenciam sobrevivência de pacientes mesmo em estado de anemia grave, crítica. O Dr. Graffeo relatou que seu paciente atingiu nível de 1,9 g/dl de hemoglobina e não morreu. A Dra Liana Araújo relatou que sua paciente sobreviveu mesmo após atingir nível de hemoglobina de 1,4 g/dl.

    Outro caso descrito nos resumos de publicações nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (Janeiro de 2015) foi de um paciente que atingiu 2,9 g/dl de hemoglobina e com necessidade de hemodiálise. Para muitos médicos estes valores seriam incompatíveis com a vida. Todos estes sobreviveram sem o uso de sangue e seus componentes. Mas para deixar evidente que existe uma tolerância individual de cada ser humano a níveis críticos de sangue no corpo foi o relatado pelo médico JianQiang Dai, que registrou a sobrevivência de seu paciente após o valor de 0,7 g/dL de hemoglobina. (Veja na seção EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS).

  • Em situação de anemia grave, o sangue ainda é o único tratamento disponível para salvar a vida do paciente?

    Não. Felizmente, em nossos dias temos várias opções de tratamento para salvar a vida de um paciente com anemia grave. Estas alternativas envolvem estratégias clínicas e cirúrgicas para tratar anemia e/ou evitar a perda de sangue. Para isto é necessário equipamentos, máquinas, técnicas e medicamentos específicos.

  • Que opções e/ou alternativas de tratamento temos para evitar uma transfusão de sangue?

    São inúmeras opções. Vamos citar as principais com impacto em reduzir e/ou evitar uma transfusão de sangue.

    1 – Tolerância à anemia. O paciente tolera anemia, o médico coopera com o paciente em tolerar anemia. Esta tolerância é individual. Aprenda mais lendo a resposta da segunda pergunta, nesta sessão.

    2 – Medicamentos para tratar anemia. Sulfato ferroso, ácido fólico, vitamina B12, eritropoietina.

    3 – Medicamentos de uso sistêmico (endovenoso) para parar sangramento e evitar transfusão de sangue: ácido tranexâmico, ácido épsilon aminocapróico, vasopressina, acetato de desmopressina, vitamina K, fator VII recombinante ativado, concentrado de fator VIII de coagulação, concentrado de complexo protrombínico, concentrado de fibrinogênio humano, fator XIII recombinante humano. As doses destes medicamentos encontra-se no artigo “Opções terapêuticas para minimizar transfusões de sangue alogênico e seus efeitos adversos em cirurgia cardíaca: Revisão sistemática”.

    4 – Medicamentos de uso tópico para parar sangramento e evitar transfusão de sangue: hemostato de celulose oxidada para compressão da ferida; cola de fibrina/selantes; gel de fibrina ou de plaquetas; colágeno hemostático; espuma/esponjas de gelatina; alginato de cálcio.

    5 – Equipamentos/máquinas que evitam transfusão de sangue (cell saver): Trata-se de uma máquina capaz de recuperar o sangue do paciente que seria perdido durante a cirurgia. O fato interessante é que este sangue recuperado tem o DNA do próprio paciente. Pode ser reutilizado e não representa uma ameaça por não ser uma homotoxina (corpo estranho).  Trata-se de uma verdadeira reciclagem de sangue. Este é o melhor sangue que um paciente poderia receber numa transfusão: O SEU PRÓPRIO SANGUE. A autotransfusão intraoperatória é uma excelente alternativa ao sangue alogênico, principalmente pelos benefícios, tais como: disponibilidade imediata de sangue fresco, diminuição das complicações pós-operatória, redução do número de dias de internação e de infecções associadas, redução de morte, bem como diminui a demanda de sangue homólogo (bolsas).

    6 – Hemodiluição normovolêmica aguda. Consiste na retirada de uma, duas, três ou mais bolsas de sangue do paciente no início da cirurgia, sendo substituído por soluções cristaloides e/ou coloides como expansores do volume do plasma, para manter a normovolemia. Este sangue ficará a disposição do cirurgião para ser usado no momento apropriado, normalmente no final da cirurgia. Se ocorrer algum sangramento na cirurgia, teremos menos perda de sangue, já que estará diluído. Este sangue armazenado tem o DNA do paciente, sem risco de reações imunológicas.

    7 – Técnicas cirúrgicas. Também é uma opção de tratamento para reduzir o uso de sangue nas transfusões. Esta estratégia envolve uma hemostasia meticulosa, uma anestesia hipotensiva e com hipotermia moderada para se evitar perda de sangue e, conseguentemente, menos consumo de sangue. 

    8 – Evitar coletas excessivas de sangue. Colher sangue três, quatro, cinco ou mais vezes num único dia, do mesmo paciente, só para seguir uma rotina ou algum protocolo arbitrário de determinada Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com certeza irá causar uma anemia iatrogênica e, consequentemente, resultar em uma transfusão de sangue também iatrogênica. Portanto, coletas excessivas de sangue gera anemia, como a maioria dos médicos não tolera anemia, o resultado é uma transfusão. Por isso, pergunte sempre ao seu médico se tal coleta irá mudar a conduta, ou seja, irá orientar um novo tratamento. Caso contrário, o sangue retirado só irá contribuir para piorar o quadro clínico.

    9 – Usar tubos pequenos para coletas de sangue. Quanto mais sangue se retira de um paciente, principalmente, quando hospitalizado, pior será para seu quadro de saúde. O que se propõe é colher o mínimo de sangue necessário para realizar os testes laboratoriais essenciais. O resultado desta estratégia significa evitar uma perda desnecessária de sangue e, consequentemente, evitar hemotransfusões. Pergunte isso ao seu médico.

    10 – Oxigenoterapia precoce/Oxigênio suplementar. A tolerância à anemia pode ser aumentada ao ventilar o paciente com uma alta fração inspirada de oxigênio (FiO2). Ventilar com 100 % de oxigênio resulta em aumento rápido do conteúdo arterial de oxigênio, assegura a oxigenação dos tecidos mesmo com uma hemoglobina muito baixa (anemia grave) e mostra ser uma estratégia importante em reduzir transfusão alogênica.

    11 – Outras opções de tratamento encontram no artigo “Opções terapêuticas para minimizar transfusões de sangue alogênico e seus efeitos adversos em cirurgia cardíaca: Revisão sistemática”, publicado na Rev Bras Cir Cardiovasc. 2014;29(4):606-21, e disponível na versão PORTUGUÊS e na versão INGLÊS no seguinte link:

    http://www.rbccv.org.br/article/2321/Therapeutic-options-to-minimize-allogeneic-blood-transfusions-and-their-adverse-effects-in-cardiac-surgery–a-systematic-review

  • Que tipos de pacientes já foram tratados com sucesso com estas alternativas?

    Podemos dizer que todos os tipos de patologias em algum centro de saúde do mundo já foram tratadas utilizando-se uma ou mais alternativas as transfusões de sangue. Quanto mais opções e/ou alternativas utilizar para se evitar o uso do sangue, maior será a possibilidade de salvar o paciente sem a utilização de uma transfusão de sangue. Cirurgias graves e complexas já realizadas com estas estratégias: transplante cardíaco, retransplante cardíaco, transplante de medula óssea, transplante de rim, transplante de fígado, cirurgia de correção de aneurisma de aorta, cirurgias cardíacas (revascularização miocárdica, troca valvar, correção de cardiopatias congênitas simples e complexas), cirurgias para ressecção de tumor benigno ou maligno (oncológica), cirurgias ortopédicas, cirurgias neurológicas e diversas outras cirurgias.

  • O que diz a organização mundial de saúde (OMS) sobre transfusão de sangue?

    A OMS diz: “Reduza a necessidade de transfusões”. A OMS ainda acrescenta: “Transfusões de sangue têm o potencial de levar a complicações agudas ou de efeito retardado, além de poder transmitir infecções. Os riscos associados à transmissão podem ser reduzidos pela minimização no número de transfusões desnecessárias…”.

    Diversos pesquisadores ao redor do mundo concluíram este mesmo fato. O tratamento da anemia por meio de uma transfusão de sangue tem efeitos colaterais graves, inclusive risco de morte.

    Veja na sessão EVIDÊNCIA CIENTÍFICA esta conclusão da OMS. Converse melhor com seu médico sobre este assunto.

  • O que diz a organização mundial de saúde (OMS) sobre o uso de alternativas as transfusões?

    A OMS diz: “… alternativas simples à transfusão são mais seguras e custo-efetivas”. Diante de um mau uso do sangue, a OMS tem orientado a classe médica a fazerem uso de alternativas e/ou opções de tratamento a uma transfusão de sangue alogênico.

    Preocupada com os riscos relacionados à prática transfusional tradicional, realizada com bolsas de doação, a OMS, incentiva fortemente a criação de um programa de conservação de sangue do próprio paciente (Patient Blood Management – PBM). Verifica-se nesta última década, que a veracidade destes fatos está cada vez mais evidente pelas pesquisas científicas publicadas por diversos pesquisadores ao redor do mundo.

    Veja na sessão EVIDÊNCIA CIENTÍFICA uma síntese do Fórum Global para segurança do sangue: Conservação do Sangue do Paciente, realizado pela OMS.

  • Por que uma medicina moderna não-transfusional?

    Três razões principais:

    I – O sangue é um recurso esgotável e está em falta no mundo. A maioria dos bancos de sangue, nacional e internacional, estão com seus estoques escassos, abaixo do que seria ideal. Segundo um estudo realizado em 2007, a demanda de sangue no país cresce a taxa de 1% ao ano, enquanto as doações crescem em 0,5% a 0,7% ao ano, indicando assim que, no futuro próximo, teremos que con­viver com a possibilidade de não haver sangue disponível para todos os procedimentos médicos. Menos transfusões, mais economia para os bancos de sangue.

    II – O tratamento com transfusão de sangue aumenta os custos hospitalares, por aumentar o tempo de hospitalização dos pacientes, principalmente maior tempo na UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Quanto mais tempo o paciente permanecer internado, mais dispendioso será para o hospital. Menos transfusões, menos custos hospitalares.

    III – O tratamento utilizando transfusão de sangue alogênico (de outra pessoa) pode resultar em infarto do miocárdio, arritmia cardíaca, falência renal, acidente vascular cerebral, falência de múltiplos órgãos, transmissão de até 68 (sessenta e oito) agentes infecciosos (bactérias, vírus, protozoários, vermes). O principal efeito colateral que as últimas pesquisas vêm demonstrando é o maior risco de morte após uma transfusão de sangue. Descobriu-se ainda que este risco de morte do paciente aumenta proporcionalmente com a quantidade de bolsas de sangue transfundidas, ou seja, quanto mais sangue de outra pessoa o paciente receber maior será o seu risco de morrer. Isto tem causado grande preocupação a todos os profissionais de saúde que estão, diretamente ou indiretamente, envolvidos com a prática transfusional. Menos transfusões, menos complicações, menos morte, mais vida.

  • O que acontece no corpo de uma pessoa após receber uma transfusão de sangue?

    As transfusões alogênicas (de outra pessoa) podem resultar em múltiplas reações inflamatórias e imunológicas (reações hemolíticas agudas ou tardias). Desse modo, quanto mais unidades de sangue transfundidas, maior a carga de antígenos (corpo estranho) injetada na circulação do paciente. Sendo assim, de um lado temos as reações hemolíticas e do outro, mais críti¬co, a imunomodulação. Os imunomoduladores são substâncias que atuam no sistema imunológico conferindo aumento da resposta orgânica contra determinados microorganismos, incluindo vírus, bactérias e protozoários, mediante a produção de interferon e seus indutores. Portanto, diante de uma infecção, esta resposta imunológica é vital para o paciente. Essa situação pode se agravar muitíssimo na vigência de uma transfusão de sangue, pois o sistema imunológico (imunomoduladores) terá que atuar agora não apenas contra o agente infeccioso, mas também contra uma nova homotoxina (substância que tem efeito prejudicial direto ou indireto sobre o organismo humano), neste caso o sangue alogênico. Isto explica em parte as várias complicações deletérias relacionadas às hemotransfusões.

  • O que dizem especialistas e autoridades internacionais sobre a prática transfusional?

    O QUE DIZEM ESPECIALISTAS E AUTORIDADES INTERNACIONAIS SOBRE A PRÁTICA TRANSFUSIONAL?

    Karl Landsteiner (médico e biólogo austríaco, descobridor do fator sangüíneo Rh(1868 – 1943))

    “O número de transfusões dadas é muitíssimo grande, e pode ser, que o uso dessa técnica tenha ido longe demais”.

    Doctor Denton Arthur Cooley (Johns Hopkins School of Medicine – JAMA 1977 vol. 238)

    “Operações cardiovasculares podem ser realizadas com segurança sem transfusão de sangue”

    Prof. Aryeh Shander (Chief of the Dept. of Anaesthesiology Englewood Hospital, New Jersey, EUA)

    “Como médicos nós temos aprendido lições chaves. Mesmo a mais profunda anemia pode ser controlada e rapidamente corrigida sem a utilização de produtos de sangue alogênico. A perda de sangue peri-operatória, mesmo em procedimentos complexos, pode ser significativamente reduzida. Cada bolsa de sangue tem seus riscos e eles são cumulativos”.

    Prof. James Isbister (Haematology & Transfussion Medicine, Royal North Shore Hospital, Sidney, Austrália

    “Nós precisamos realmente mudar a prática transfusional, não há outra alternativa. E há um senso de urgência nisto”. E acrescenta: “Esta mudança será de um foco na transfusão para um foco no paciente”.

    Prof. Donat Spahn (Charmain of the Dept. of Anesthesiology, Uni. Hospital Zurich, Switzerland)

    “Depois de avaliar todas as evidências disponíveis só nos resta a concluir que a transfusão é um grande multiplicador de morbidade e mortalidade”.

    Doctor Bruce Spiess (Professor of Anestesiology Richmond, VA, EUA)

    “Pacientes que foram transfundidos têm uma maior incidência de casos como, infecções pós-cirurgia, recorrência de câncer, doença pulmonar e problemas pulmonares. Isto é causa-efeito”.

    Doctor Danilo Kuizon (Interventional Cardiology, Quezon City, Philippines)

    “Tenho visto muitos pacientes com hemoglobina tão baixa como 5,4,3, até 2 g/dL e sobreviverem. Muitas coisas poderiam ser realmente entendidas na luz da fisiologia humana”.

    Prof. Hans Gombotz (Chief of the Dept. of Anesthesiology and Intensive Care, Linz, Austria)

    “A prática da transfusão é baseada mais no costume do que na evidência”.

    Steve Rothman(Representante dos EUA de 1997 – 2013)

    Entregou em 2010 a quantia de 4,69 milhões de dólares de fundos federais para o Englewood Hospital Medical Center para fornecer treinamento e instruções para os médicos militares e civis e outros prestadores de cuidados de saúde em como praticar e executar uma medicina e cirurgia sem sangue. “O programa será especialmente importante durante catástrofes naturais ou conflitos quando o sangue é muitas vezes limitado ou indisponível”, disse Rothman.

    O corpo clínico do Hospital Englewood tem mais de 200 médicos em mais de 25 especialidades médicas e cirúrgicas, que foram especialmente treinados para praticar a medicina sem sangue e técnicas cirúrgicas.

    Ludhmila Abrahão Hajjar (Coordenadora da UTI cirúrgica do InCor e da UTI cardiológica do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo)

    “Não podemos continuar fazendo medicina em 2011 baseados num relato de 1942”, diz Ludhmila.

    Revista Época 10/01/2011 (pág. 94, 95)

    A repórter especial da Revista Época, Cristiane Segatto, resumiu em 4 palavras, de maneira objetiva e lógica, a matéria publicada: “Menos sangue, por favor”

    Dr. Antonio Alceu dos Santos (Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, Médico do Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e Hospital Vaz Monteiro- MG)

    Resume também 4 palavras o objetivo primordial do site www.bloodless.com.br

    MENOS SANGUE, MAIS VIDA

  • Sangue artificial existe? Quando teremos sangue sintético para uso humano?

    Sangue artificial existe? Quando teremos sangue sintético para uso humano?
    Sim. Temos sangue artificial. Cientistas britânicos querem começar a testar sangue artificial pela primeira vez em humanos nos próximos três anos. Eles planejam iniciar a primeira fase de testes com voluntários no final de 2016 ou no início de 2017. No Reino Unido, pesquisadores já vem produzindo células sanguíneas a partir de células-tronco. As células-tronco são aquelas capazes de se transformar em quaisquer células do corpo humano. As células sanguíneas poderiam ser cultivadas em laboratório e, assim, usadas para transfusões, evitando uma série de efeitos colaterais comumente observada com esta prática médica: maior risco de transmissão de infecções, incompatibilidade com o sistema imunológico do receptor e, finalmente, maior risco de morte.
    http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/04/140416_testes_sangue_artificial_lgb
    No momento temos disponível substâncias capazes de transportar o oxigênio, de modo muito semelhante ao sangue, chamados de carreadores de oxigênio. Mas assim como uma transfusão também tem os seus efeitos colaterais.

    http://www.independent.co.uk/life-style/health-and-families/health-news/nhs-to-give-volunteers-synthetic-blood-made-in-a-laboratory-within-two-years-10343279.html

  • Anemia aplásica grave: como tratar sem o uso de sangue alogênico?

    Anemia aplásica grave: como tratar sem o uso de sangue alogênico?
    Inicialmente podemos usar uma combinação de métodos: eritropoietina, fatores de crescimento de granulócitos, ferro, leucovorin e ciclosporina ou Transplante de Medula Óssea, como tratamento final.
    Alguns links de artigos em apoio a resposta.
    1 – How I treat acquired aplastic anemia
    2 – Profound anaemia and acute blindness in a Jehovah’s Witness – The Lancet
    3 – First-line allogeneic hematopoietic stem cell transplantation of HLA-matched sibling donors compared with first-line ciclosporin and/or antithymocyte or antilymphocyte globulin for acquired severe aplastic anemia – Peinemann – 2013 – The Cochrane Library – Wiley Online Library

  • Eritropoietina pode ser usada em pacientes com câncer?

    Eritropoietina pode ser usada em pacientes com câncer?
    Sim. A eritropoietina foi introduzida nos EUA em 1989 para tratar a anemia do paciente portador de doença renal crônica e em 1993 para tratar a anemia induzida pela quimioterapia. Uma pesquisa recente, respondeu um importante questionamento de um possível efeito trombótico durante o uso da eritropoietina em pacientes com câncer. O estudo demonstrou que este efeito ainda é menor que o provocado pela transfusão de sangue doado (alogênico).

  • Qual é o valor do hematócrito na micro e na macrocirculação?

    Qual é o valor do hematócrito na micro e na macrocirculação?
    Hematócrito na microcirculação 12 a 15%
    Hematócrito na macrocirculação 36 a 45%
    O conhecimento desta condição fisiológica, explica porque o corpo humano tolera quadros de anemia crítica, ou seja, tolera níveis extremamente baixo de hemoglobina. Diante de uma grande hemorragia, com enorme perda de sangue, resultando em um hematócrito de 20% na MACROCIRCULAÇÃO, teremos pouca ou quase nada de alteração no hematócrito na MICROCIRCULAÇÃO. Ou seja, numa anemia normovolêmica aguda, a oxigenação tecidual fica muito pouco reduzida. Isto explica por que várias pesquisas vem demonstrando cada vez mais uma conduta restritiva para transfusão de sangue alogênico (doado).

  • Qual é a resposta fisiológica para corrigir uma possível isquemia tecidual num estado de anemia grave?

    Qual é a resposta fisiológica para corrigir uma possível isquemia tecidual num estado de anemia grave?
    No início da metarteríola temos o esfíncter pré-capilar, cuja contração fecha a entrada de sangue nos capilares. Na porção inicial da vênula temos o esfíncter pós-capilar, cuja contração impede a saída do sangue dos capilares. O esfíncter pré-capilar desempenha um papel fundamental na regulação do fluxo de sangue para os tecidos através dos capilares. O trajeto do sangue na microcirculação vai depender das necessidades dos tecidos, se há ou não isquemia. A constrição do esfíncter pré-capilar força a passagem do sangue da arteríola para a vênula, sem atravessar os capilares. Quando a oferta de oxigênio aos tecidos é diminuída, como acontece num estado de grande perda de sangue, há abertura de um grande número de esfíncteres para irrigar um maior número de conjuntos de capilares, com o objetivo de corrigir fisiologicamente o estado de isquemia tecidual.

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