Resposta: o seu PRÓPRIO SANGUE.
Este sangue tem a sua marca registrada: os seus antígenos, os seus anticorpos, ou seja, um sangue com seu DNA. Portanto sem nenhum risco de reação imunológica ou inflamatória.

COMO CONSEGUIR ISSO?
Resposta: através de um programa MUNDIALMENTE conhecido como PBM (Patient Blood Management), ou seja, um programa de conservação de sangue do próprio paciente.
Visando uma redução no consumo de sangue e seus componentes, a Organização Mundial de Saúde (OMS) mediante três pilares guia a gestão de sangue do paciente (PBM): http://apps.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA63/A63_R12-en.pdf
Primeiro pilar: tomar todas as medidas para otimizar a massa eritrocitária do paciente;
Segundo pilar: minimizar a perda de sangue do paciente;
Terceiro pilar: otimizar, cooperar com a tolerância fisiológica de cada paciente à anemia
O Primeiro Pilar diz respeito a tratar toda e qualquer ANEMIA, com medicamentos: sulfato ferroso ou sacarato de hidróxido férrico, ácido fólico, vitamina B12 e quando necessário usar eritropoietina, darbepoietina ou CERA (continuous erythropoietin receptor activator). Estima-se que dois bilhões de indivíduos sejam anêmicos e que a deficiência de ferro ocorra em cerca de quatro bilhões de indivíduos ao redor do mundo.

O Segundo Pilar é onde temos as duas principais estratégias que permite utilizar sangue do próprio paciente:
I – Autotransfusão intraoperatória
Através de um equipamento/máquina conseguimos recuperar o PRÓPRIO SANGUE do paciente que seria perdido durante a cirurgia. Como já dissemos este sangue recuperado tem o DNA do próprio paciente. Pode ser reutilizado e não representa uma homotoxina (“corpo estranho”). Quando não recuperado, infelizmente vai para a lata de lixo junto com gases e compressas. Trata-se de uma verdadeira reciclagem de sangue (Foto 1).
Esta recuperação de células vermelhas (hemácias) durante a cirurgia é uma excelente alternativa ao sangue alogênico (doado), principalmente pelos benefícios, tais como: disponibilidade imediata de sangue fresco, diminuição das complicações pós-operatória, redução do número de dias de internação e de infecções associadas, redução de morte, bem como diminui a demanda de sangue homólogo (bolsas).
O custo deste procedimento é aproximadamente o mesmo preço de uma a duas bolsas de sangue, quando consideradas todas as atividades envolvidas na transfusão de sangue.

II – Hemodiluição Normovolêmica Aguda
Esta é uma das opções de tratamento mais simples e barata para se utilizar seu PRÓPRIO SANGUE em uma cirurgia. Consiste na retirada de uma, duas, três ou mais bolsas de sangue do paciente no início da cirurgia, sendo substituído por soluções cristaloides e/ou coloides como expansores do volume do plasma, para manter a normovolemia (volume circulante). Este sangue ficará a disposição do cirurgião para ser usado no momento apropriado, normalmente no final da cirurgia. Se ocorrer algum sangramento na cirurgia, teremos menos perda de sangue, já que estará mais diluído. Este sangue armazenado tem o DNA do paciente, sem risco de reações imunológicas. O custo deste procedimento é de aproximadamente U$20,00 (vinte dólares) ou R$70,00 (setenta reais), que seria o custo de duas bolsas de coletar sangue vazia (Foto 2).

O Terceiro Pilar é um dos principais do programa PBM.
A MELHOR TRANSFUSÃO de sangue é aquela que NÃO RECEBEU.
Pesquisas demonstram que o ser humano tolera/suporta níveis críticos de anemia. Por outro lado, a prática médica transfusional, as vezes, chega a 100% em vários hospitais, principalmente, em cirurgia cardíaca.

O PACIENTE tolera anemia, o MÉDICO não tolera anemia.
A OMS reconhece que a segurança do paciente transfundido com sangue alogênico (doado) fica seriamente comprometida pelo uso excessivo e desnecessário de transfusões de sangue, de plasma e derivados, transfusões não seguras e erros transfusionais (principalmente na cabeceira do paciente).
Preocupada com os riscos relacionados à prática transfusional tradicional, realizada com bolsas de doação, a OMS, incentiva fortemente a criação de um programa de conservação de sangue do próprio paciente (PBM). Verifica-se nesta última década, que a veracidade destes fatos está cada vez mais evidente pelas pesquisas científicas publicadas por diversos pesquisadores nacionais e internacionais.

Para finalizar a própria OMS recomenda “…reduzir transfusões desnecessárias para minimizar os riscos associados com a transfusão; usar alternativas à transfusão, sempre que possível, e a prática clínica de transfusão boa e segura, inclui gerenciamento de sangue do paciente”. Organização Mundial de Saúde. Segurança e disponibilidade do sangue. Revisado em Junho de 2015. http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs279/en/

Portanto, é importante tornar conhecido as principais opções de tratamento às transfusões para economizar hemocomponentes, que já se encontram escassos nos bancos de sangue. Conforme evidência do mundo real.

Quando se tem o propósito e o envolvimento multiprofissional, do clínico, do cirurgião, do anestesiologista e/ou do médico de terapia intensiva, para gerenciar e conservar o sangue autólogo (sangue da própria pessoa) é possível realizar cirurgias graves e complexas sem o uso de sangue de outra pessoa (alogênico).
O MELHOR e mais seguro SANGUE para TRANSFUSÃO é o seu PRÓPRIO SANGUE.
A MELHOR TRANSFUSÃO de sangue é aquela que NÃO RECEBEU.

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